Racismo, representatividade, educação e o poder das referências foram alguns dos principais temas discutidos no Arte de Vencer.
Apresentado pelo empresário Claudio Gonçalves, o episódio reuniu João Costa, jornalista, colunista internacional, especialista e assessor de comunicação do Grupo JA, e Thiago Simpatia, jornalista, escritor e head de Marketing do grupo.
A conversa mostrou como trajetórias atravessadas por desafios semelhantes podem produzir diferentes maneiras de enxergar e enfrentar o preconceito.
O encontro também destacou o papel da representatividade na construção de novas perspectivas profissionais e sociais.
João Costa e o poder da referência
Durante o programa, João Costa ressaltou a importância de pessoas negras ocuparem espaços de visibilidade, liderança e tomada de decisão.
A partir da própria trajetória, o jornalista destacou como referências positivas podem ampliar os horizontes de crianças, jovens e profissionais que ainda estão construindo seus caminhos.
Para Costa, representatividade vai além da ocupação de espaços.
Quando uma pessoa consegue visualizar profissionais negros atuando no jornalismo, na comunicação, no empreendedorismo e na liderança, passa também a enxergar novas possibilidades para o próprio futuro.
Thiago Simpatia diz que “o exemplo arrasta”
Thiago Simpatia compartilhou experiências da infância e destacou a influência da família em sua formação.
Segundo ele, o avô teve papel importante na construção de sua confiança e na maneira como aprendeu a circular por diferentes ambientes.
“Eu nunca me apequenei. Eu sempre estava ali, transitando, falando com todo mundo”, afirmou.
Para o jornalista, educação, autoestima e autoconfiança são importantes para enfrentar situações de preconceito.
Foi nesse contexto que surgiu uma das principais mensagens de sua participação: “o exemplo arrasta”.
Segundo Thiago, referências positivas ajudam crianças e jovens a entender que determinados espaços também podem ser ocupados por eles.
Racismo e os julgamentos pela aparência
João Costa também relatou situações em que sua aparência e suas roupas foram utilizadas como critérios para julgamentos sociais.
“Você nota claramente que chega nos lugares e, se vai com uma roupa mais despojada, é confundido com segurança, com faxineiro ou com qualquer outra profissão”, contou.
O jornalista relatou ainda um episódio ocorrido em São Paulo, quando estava em um Uber e o veículo foi acompanhado e posteriormente abordado por uma viatura da Polícia Militar.
Segundo Costa, a situação esteve relacionada ao fato de ele e o motorista serem homens negros e à forma como estavam vestidos.
“Quando você sofre isso na pele e precisa imaginar que existem outras pessoas que, como nós, enfrentam isso, você percebe que é um fato real e que precisa ser discutido”, afirmou.
Inclusão precisa sair do discurso
Na condução do debate, Claudio Gonçalves reforçou a necessidade de transformar a inclusão em ações concretas dentro das empresas.
Para o empresário, ampliar a presença de profissionais negros em posições estratégicas e de liderança é parte fundamental desse processo.
A discussão abordou a necessidade da diversidade não ficar restrita ao discurso institucional, mas estar presente nas decisões, oportunidades e espaços onde o futuro das organizações é construído.
Educação, família e novas gerações
Outro ponto abordado foi o papel da educação e da família na formação da autoestima.
João Costa atribuiu à educação recebida da avó paterna uma influência decisiva em sua trajetória.
Segundo ele, desde cedo recebeu orientações para compreender que poderia ocupar diferentes ambientes com educação, respeito e conhecimento.
“Ela sempre me posicionou para que eu fosse um homem que soubesse me colocar em todos os lugares”, afirmou.
O relato dialoga com a experiência de Thiago Simpatia e reforça a importância das referências construídas dentro de casa, na escola e na comunidade.
Ao reunir os dois jornalistas, Claudio Gonçalves conduziu uma conversa sobre como experiências individuais podem contribuir para discussões coletivas sobre racismo, oportunidades e representatividade.
O episódio do Arte de Vencer também mostrou como educação, referências e exemplos próximos podem interferir na forma como crianças e jovens enxergam as próprias possibilidades profissionais.
Ao ocuparem espaços de destaque e compartilharem suas experiências, João Costa e Thiago Simpatia colocam em discussão caminhos para ampliar essa representatividade.










