Quando falamos de salsa, o nome de Rubén Blades vem imediatamente à memória.
O cantor e compositor panamenho é um dos expoentes máximos do gênero.
Suas músicas, além de ser um convite para as pistas de dança, também fazem pensar.
Nesta coluna iniciamos a apresentação de 15 canções nas quais Blades atua como um cronista do nosso tempo, relatando injustiças sociais, a sociedade de consumo, as brigas de poder e outros temas presentes na história da nossa América Latina.
Músicas
Pedro Navaja: composição de Rubén Blades. Essa é uma das melhores salsas já feitas.
Narra, como se fosse uma crônica, a violência urbana da cidade de Nova York, com o confronto de duas figuras da noite.
A letra da música segura o ouvinte do início ao fim. Foi inspirada em um trecho de A Ópera dos Três Vinténs, que tem texto de Bertolt Brecht e música de Kurt Weill.
Versos de destaque: Por la esquina del viejo barrio lo vi pasar Con el tumbao’ que tienen los guapos al caminar Las manos siempre en los bolsillos de su gabán Pa’ que no sepan en cuál de ellas lleva el puñal
Sorpresas: composição de Rubén Blades. Essa música, de certa forma, é a continuação de “Pedro Navaja”.
Parte de uma narrativa policial que mostra o percurso do protagonista e, como sugere o título, está cheia de surpresas que dão outra perspectiva aos acontecimentos.
A canção faz parte do álbum Escenas de 1985.
Versos de destaque: El borracho paró de cantar y se puso a contar su buena fortuna El barrio estaba dormido Llena brillaba la Luna De pronto un ladrón salpicado en neón Salió como un tigre desde el callejón Y le puso al borracho un Magnum frente a la cara Y le dijo: Entrégalo todo o se dispara
Pablo Pueblo: composição de Rubén Blades. Retrata um homem comum, um trabalhador, vítima da desigualdade, que sofre com suas frustrações, o adiamento de seus sonhos e a eterna luta pela sobrevivência.
Parte de um personagem específico, mas que pode ser universalizado.
Versos de destaque: Regresa un hombre en silencio De su trabajo cansado Su paso no lleva prisa Su sombra nunca le alcanza
Tiburón: composição de Rubén Blades. Nessa salsa, Blades trabalha a imagem do tubarão como uma metáfora do imperialismo,principalmente o estadunidense.
Faz o contraponto exaltando a reação e a resistência da América Latina contra essas investidas.
Apesar de ter sido lançada há 45 anos, continua extremamente atual.
Versos de destaque: Es el tiburón que va buscando Es el tiburón que nunca duerme Es el tiburón que va acechando Es el tiburón de mala suerte
Plástico: composição de Rubén Blades. Uma crítica bem-humorada à sociedade de consumo, que vende falsas realidades.
Blades faz uma radiografia da maneira de ser e de se portar de jovens alienados pelo consumismo. Ao final conclama a América Latina para uma transformação.
Versos de destaque: Ella era una chica plástica De esas que veo por ahí De esas que cuando se agitan Sudan Chanel number three Que sueñan casarse con un doctor Pues él puede mantenerlas mejor No le hablan a nadie si no es su igual A menos que sea fulano de tal
Não se esqueça
Na semana que vem, teremos a segunda parte desta série. Indicaremos mais cinco canções de Rubén Blades. Aguardem!
Esta coluna é um espaço destinado à cultura e músicas latinas. Mais informações sobre esses temas você encontra em www.ondalatina.com.br e no Canal Onda Latina: https://www.youtube.com/@canalondalatina





