Soja sustentável avança na Amazônia e mobiliza produtores

Encontro que reuniu representantes de toda a cadeia produtiva de soja em Santarém (PA)Imagem gerada por IA

O cultivo da soja vem avançando cada vez mais para dentro da floresta amazônica. E o alerta vermelho da devastação está aceso. Embora boa parte deste avanço aconteça em terras que já haviam sido desmatadas para a pecuária, não dá para dizer que o desmatamento acabou.

Com regras de exportação cada vez mais rígidas – a União Europeia, por exemplo, não permite a importação de produtos relacionados ao desmatamento de ecossistemas florestais – os produtores da região estão se mobilizando para encontrar soluções mais sustentáveis.

Neste mês, aconteceu em Santarém (PA) o Sustensoja – Caminhos para a Soja Sustentável, promovido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal (Imaflora), em parceria com a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag), a AgriTierra, com apoio da Alauda Consulting e da organização britânica Jacobs Futura Foundation (JFF). 

Durante o evento, foram apresentados avanços do Projeto Soja Sustentável na Amazônia, iniciativa das entidades parceiras que busca transformar práticas agrícolas convencionais em sistemas regenerativos nos estados do Acre, Rondônia e Pará, regiões estratégicas tanto pela relevância produtiva quanto pela sensibilidade ambiental.

Entre os temas debatidos, ganharam destaque as estratégias para ampliar a eficiência produtiva, fortalecer a conformidade socioambiental e acelerar a adoção de práticas regenerativas. 

Também foram apresentadas tecnologias como o biochar, voltado ao sequestro de carbono de longo prazo, e a remineralização de solos, que contribui para reduzir a dependência de insumos químicos e aumentar a resiliência hídrica das propriedades. 

O evento também ressaltou o posicionamento estratégico do Brasil diante das novas exigências globais. Ao alinhar produção sustentável, certificação e rastreabilidade, o projeto busca ampliar o acesso a mercados internacionais de alto valor agregado e gerar diferenciais competitivos para os produtores.  

O desmatamento não acabou

Um mapeamento da soja no Brasil realizado no ano passado pela SpectraX, especializada em inteligência territorial e monitoramento agroambiental, mostrou que o cultivo do grão registrou um avanço de 20,7% no bioma Amazônia na safra 2024/25, em relação à anterior. 

É notório que a maior parte da expansão da soja na região ocorre sobre áreas de pecuária anteriormente desmatadas e degradadas. No entanto, é bom lembrar que esse processo empurra as pastagens e o gado para novas franjas da floresta, gerando um efeito indireto de desmatamento.

Durante duas décadas, o principal mecanismo de contenção do desmatamento direto foi a Moratória da Soja. Firmada em 2006, ela proibia as grandes tradings de comprar o grão cultivado em áreas desmatadas da Amazônia após 2008. 

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Porém, grandes exportadoras globais de grãos abandonaram formalmente a Moratória da Soja em janeiro de 2026. As principais multinacionais e gigantes do agronegócio que se retiraram do pacto ambiental foram: Bunge, Cargill, ADM (Archer Daniels Midland), Amaggi.

A conservação da Amazônia deveria ocupar um lugar central na estratégia de qualquer setor que se pretenda alinhado ao desenvolvimento do país.

Enquanto alguns produtores se empenham em produzir de forma regenerativa e sustentável, os gigantes seguem dando mau exemplo.

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