Segundo números da Receita Federal, isso representa um crescimento de 25% na comparação com o mesmo mês do ano passado — quando a arrecadação somou R$ 340,9 milhões.
No primeiro mês deste ano, foram recebidas 15,3 milhões remessas internacionais, em comparação com 11,4 milhões em janeiro de 2025.
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??De acordo com o jornal “O Globo”, o governo voltou a avaliar a revogação da chamada “taxa das blusinhas”, em um ano eleitoral. O movimento é liderado pela ala política, especialmente o ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação da Presidência, mas envolve outros setores.
??Ao mesmo tempo, a Câmara dos Deputados já discute um projeto de lei que zera o imposto de importação sobre compras de até US$ 50 feitas por meio de comércio eletrônico, ou seja, impõe um fim à chamada “taxa das blusinhas”.
O vice-presidente Geraldo Alckmin lembrou que defendeu a adoção do tributo no passado para proteger a produção, o emprego e a renda no país (veja mais abaixo nessa reportagem).
Se por um lado a medida tem ajudado na arrecadação federal, por outro ela tem resultado em prejuízo aos Correios, que passam por forte crise financeira.
Resultado em 2025
????No acumulado de todo ano de 2025, a chamada taxa das blusinhas arrecadou o valor recorde de R$ 5 bilhões, ajudando o governo no atingimento da meta fiscal.
Segundo informou o Fisco em fevereiro, 50 milhões de brasileiros estão “cumprindo suas obrigações tributárias” por meio das empresas habilitadas no Remessa Conforme — programa adotado para regularizar as encomendas internacionais.
“Com o PRC [Programa Remessa Conforme] o governo conseguiu elevar drasticamente o registro de declarações de importação e combater a evasão fiscal, ao mesmo tempo em que acelerou o prazo de entrega dos produtos. O número de encomendas ‘não PRC’ [fora do programa] no Brasil caiu de 16 milhões em 2024 para 6,5 milhões em 2025”, informou o Fisco, em fevereiro.
GETTY IMAGES via BBC
Taxa das blusinhas
??Em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, o governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas para empresas dentro do programa Remessa Conforme.
????A taxação foi uma resposta do governo e do Congresso a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online.
??À época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o texto aprovado pelo Legislativo, apesar de ter classificado a decisão como “irracional”. A medida foi defendida pela indústria brasileira.
Alckmin defende a indústria nacional
Alinhado com a indústria nacional, o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também ocupava o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, disse nesta semana que não tem participado do debate sobre a revogação da taxa das blusinhas.
????Alckmin deixou o cargo de ministro nesta semana para concorrer a reeleição ao cargo de vice-presidente na chapa do presidente Lula neste ano.
Ele lembrou, porém, que defendeu a adoção do tributo no passado para proteger a produção, o emprego e a renda no país. Alckmin não citou o viés arrecadatório da taxação.
“Defendi lá atrás, porque se você pegar o produto fabricado no brasil, a roupa, ele paga entre 45%, a quase 50% de tributo. Uma média de 45%. O importado está pagando bem menos do que o fabricado aqui dentro (…) Mesmo com a tributação [taxa das blusinhas], ainda é a carga bem menor do que o produto brasileiros”, disse o vice-presidente, nesta sexta-feira (2).
No começo do ano passado, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) fez a mesma avaliação. Segundo a entidade, a taxa das blusinhas contribuiu para a manutenção de milhares de empregos de trabalhadores no país.
“Os bons resultados decorrentes da taxação de 20% das remessas internacionais de até U$ 50 demonstram a pertinência da isonomia tributária e regulatória. Esta agenda, que tem sido trabalhada por diversos países e sobre a qual ainda precisamos avançar mais, seguirá como prioridade da Abit, pois são sempre positivos os impactos da redução das desigualdades de condições entre as empresas brasileiras e as estrangeiras”, informou a Abit, em 2025, por meio de nota.





