A Globo já abriu oficialmente a venda das cotas de patrocínio para “Próximos 50”, série digital que será comandada por Ticiane Pinheiro e estreia em janeiro. A proposta é entrevistar pessoas com mais de 50 anos, principalmente mulheres, para discutir os desafios dessa fase da vida.
O problema é que, internamente, a comparação com “50 & Tanto”, idealizado e desenvolvido por Angélica, foi imediata. Afinal, o projeto da apresentadora não apenas aborda exatamente o mesmo universo, como também ganhou um desdobramento masculino o “50 & Uns, ambos disponíveis no Globoplay.
O desconforto nos bastidores não passou despercebido. A crítica que circula entre profissionais da própria Globo é que faltou um gesto elementar de respeito com quem concebeu o formato original. Antes de colocar praticamente a mesma premissa nas mãos de outra apresentadora, o mínimo esperado seria consultar Angélica para saber se ela considerava aquele projeto encerrado ou se ainda pretendia desenvolvê-lo em novas temporadas.
Segundo fontes da coluna que trabalham no canal, ignorar essa etapa transmite a impressão de que ideias se tornam descartáveis assim que deixam de ser prioridade para a empresa.
É justamente aí que a discussão deixa de ser apenas criativa e passa a ser ética. Quando uma emissora do porte da Globo dá a impressão de reciclar um conceito recém-criado, sem qualquer preocupação em preservar sua identidade ou sua autora, envia um recado perigoso para todo o mercado: o de que criar vale menos do que simplesmente redistribuir. A originalidade perde valor quando passa a ser tratada como um bem sem dono.
Não por acaso, a palavra que mais tem aparecido nas conversas de bastidor em torno do novo projeto de Ticiane Pinheiro é justamente “ética”. Porque criatividade pode faltar em determinados momentos. Acontece, como aconteceu com o reality de nepobabies, que nem estreou mas jé é considerado chacota interna.
O que não pode faltar é o compromisso de reconhecer e proteger a autoria. Em televisão, formatos podem até ser adaptados, reinventados e evoluir. O que não deveria acontecer é a sensação de que uma boa ideia pode mudar de mãos sem que seu criador sequer seja ouvido. Quando isso acontece, o prejuízo não é apenas de uma apresentadora. É da cultura criativa de toda a televisão.





