Valentino Garavani, Lendário Estilista Italiano, Morre Aos 93 Anos

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O estilista italiano Valentino Garavani morreu nesta segunda-feira (19), informou sua fundação nas redes sociais. Ele tinha 93 anos. A causa da morte não foi imediatamente divulgada.

Conhecido geralmente apenas pelo primeiro nome, Valentino havia se aposentado em 2008. Fundador da marca que leva seu nome, o estilista italiano alcançou o auge da alta-costura, construiu um império empresarial e apresentou ao mundo da moda uma nova cor, o chamado “vermelho Valentino”.

“Valentino Garavani faleceu hoje em sua residência em Roma, cercado por seus entes queridos”, informou a publicação no Instagram.

O velório ocorrerá na quarta e na quinta-feira, e o funeral será realizado em Roma na sexta-feira, às 11h (horário local), acrescentou o comunicado.

“Vermelho Valentino”

Uma mistura de carmim e escarlate, com um toque de laranja — um novo tom, inspirado por uma senhora idosa na casa de ópera de Barcelona, cuja elegância impressionou o jovem Valentino Garavani.

A cor, apresentada ao mundo da moda alguns anos depois, em 1959, com um vestido de coquetel tomara que caia em tule drapeado, passou a carregar seu nome — “vermelho Valentino” — tornando-se também a assinatura do grupo italiano de moda homônimo.

“Acho que uma mulher vestida de vermelho é sempre maravilhosa, ela é a imagem perfeita de uma heroína”, escreveu Valentino no livro Rosso (Vermelho), lançado em 2022. Ele incluía ao menos um vestido vermelho em cada uma de suas coleções.

“Eu Amo a Beleza”

Valentino figurava ao lado de Giorgio Armani e Karl Lagerfeld como um dos últimos representantes de uma geração marcante de designers, de uma era anterior à moda se tornar uma indústria altamente comercial, administrada tanto por financiadores e executivos de marketing quanto por costureiros.

Alcançando o auge da alta-costura, ele foi o primeiro italiano a desfilar nas exclusivas passarelas da haute couture de Paris.

Apaixonado por cinema, sonhava, quando jovem, em vestir as “belas damas da tela de prata”, como as chamava, entre elas as estrelas de Hollywood dos anos 1950, Lana Turner e Judy Garland.

Valentino acabaria criando o vestido de casamento de Elizabeth Taylor e foi a primeira escolha de inúmeras vencedoras do Oscar, incluindo Sharon Stone e Penélope Cruz.

Seus designs românticos, simples à primeira vista, eram repletos de detalhes intrincados. “Eu amo a beleza”, dizia Valentino. “Não é culpa minha. E eu sei o que as mulheres querem: elas querem ser bonitas.”

O estilista, que também vestiu Jackie Kennedy, construiu um império empresarial com seu próprio nome antes de vendê-lo, às vésperas de sua aposentadoria, em 2008.

“É PRECISO MUITA PACIÊNCIA”

Valentino era filho único, nascido em uma família abastada em Voghera, ao sul de Milão, onde seu pai comandava uma empresa de materiais elétricos.

Tendo começado a desenhar e a apreciar roupas de alta costura desde cedo, estudou moda em Milão e Paris, onde trabalhou como aprendiz do estilista Jean Dessès. Retornou à Itália em 1960, abrindo sua própria maison no coração de Roma.

Naquele ano, Elizabeth Taylor escolheu um vestido branco de Valentino para a estreia do sucesso de bilheteria Spartacus.

Também em 1960, ele conheceu Giancarlo Giammetti em um café romano. Giammetti se tornaria seu parceiro nos negócios e na vida.

“Compartilhar a vida com uma pessoa por toda a existência — cada momento, alegria, dor, entusiasmo, decepção — é algo que não pode ser definido”, disse Valentino sobre ele.

Giammetti assumiu a parte administrativa do negócio, deixando a criação para o estilista.

“Estar com Valentino como amigo, como amante e como funcionário é um pouco a mesma coisa: é preciso muita paciência”, disse Giammetti no documentário Valentino: The Last Emperor, que acompanhou o designer nos dois últimos anos de sua carreira.

Os tecidos de georgette, babados de chiffon e adornos elaborados de Valentino — incluindo a técnica exclusiva do budellini, na qual longas tiras de lã de ovelha são enroladas à mão em tubos, revestidas de seda e costuradas — lhe renderam inúmeros prêmios, entre eles a mais alta honraria civil da França, em 2006.

“A fama e a fortuna não o mudaram”, disse Giammetti na época. “Ele ainda é o mesmo garoto que conheci há 45 anos.”

Supersticioso e introvertido, Valentino amava chocolate, esqui e seus pugs. Em entrevista ao Corriere em 2017, contou que tinha medo da morte.

“O Momento Perfeito para Dizer Adeus”

Em 2007, ele encantou Roma com celebrações luxuosas para marcar suas décadas na moda — um evento de três dias que incluiu jantares, festas e exposições, com milhares de convidados vindos do mundo todo.

Meses depois, anunciou que deixaria de desenhar para sua empresa, que já não controlava após ter vendido o negócio quase uma década antes por cerca de US$ 300 milhões.

“Decidi que este é o momento perfeito para dizer adeus ao mundo da moda”, afirmou. “Como dizem os ingleses, eu gostaria de sair da festa enquanto ela ainda está cheia.”

Seu último desfile ocorreu em janeiro de 2008, em Paris, cidade que ele chamava de sua segunda casa e que dizia ter lhe ensinado a amar a moda e a vida.

A empresa que leva seu nome foi comprada pelo fundo catariano Mayhoola por € 700 milhões em 2012. O grupo francês de luxo Kering adquiriu uma participação de 30% em 2023, com o compromisso de comprar integralmente o negócio a partir de 2026, mas posteriormente adiou a operação para, no mínimo, 2028.

Valentino e Giammetti permaneceram ativos no apoio às artes. A fundação de ambos inaugurou a galeria PM23 no centro de Roma em 2025, ao lado da sede da Valentino.

De forma apropriada, a exposição inaugural — Horizons/Red — foi dedicada à cor mais intimamente associada a Valentino.

“Vermelho não é apenas uma cor”, disse Giammetti na ocasião. “É uma força simbólica e estética de poder extraordinário.”

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