Virgínia anunciou que suas filhas, Maria Alice e Maria Flor, vão passar por cirurgia ainda este ano, após receber orientação médica por causa do aumento das amígdalas e da adenoide. O assunto mobilizou muitas mães nas redes, trazendo um debate frequente na infância: quando esse aumento é normal e quando vira preocupação real.
A otorrinolaringologista Juliana Caixeta explica que amígdalas e adenoide são partes importantes da defesa do organismo, especialmente nos primeiros anos de vida. O problema surge quando crescem além do esperado.
“Esse aumento exagerado pode levar à respiração pela boca, ronco, sono agitado e despertares noturnos. Em alguns casos, isso interfere nas atividades do dia, deixando a criança mais agitada ou mais sonolenta”, afirma.
Os sinais que merecem atenção dos pais
Embora o crescimento dessas estruturas seja comum na infância, alguns comportamentos indicam que é hora de procurar um especialista. Crianças que respiram predominantemente pela boca ou que alternam entre nariz e boca precisam de avaliação.
O ronco persistente também é um sinal importante. “Quando a criança ronca por mais de quinze dias, especialmente sem estar gripada ou resfriada, deve ser avaliada por um otorrinolaringologista”, explica a médica.
Como isso afeta o desenvolvimento infantil
A respiração oral exige mais esforço e prejudica a qualidade do sono. E sono ruim para criança significa impacto direto no comportamento, no rendimento escolar e até no humor.
“A longo prazo, a respiração oral pode interferir no desenvolvimento da face e dos dentes”, explica Juliana Caixeta.
Além disso, estudos relacionam o ronco crônico a alterações na liberação de hormônios como leptina, grelina e o hormônio do crescimento, mudanças que podem influenciar o ganho de peso e o crescimento.
Quando a cirurgia é necessária
Quando o aumento das amígdalas e da adenoide prejudica sono, respiração ou desenvolvimento, a cirurgia é indicada. O procedimento é feito em centro cirúrgico, com anestesia geral.
“Atualmente, a cirurgia pode ser feita com auxílio de vídeo e tecnologias como microdebridador e coblation. Ainda assim, a técnica tradicional continua sendo adequada”, diz a especialista.
A internação é curta e, nos primeiros dez dias, é esperado que a criança sinta dor na garganta e uma sensação de nariz entupido.
A médica também esclarece dúvidas comuns entre pais: “Não é necessário deslocar o queixo para realizar a cirurgia. E também não é obrigatório manter apenas dieta fria e líquida. Hoje, alimentos mais consistentes já podem ser liberados nos primeiros dias.”
Cada caso precisa de avaliação individual
Para a especialista, a situação das filhas de Virginia reforça um ponto essencial: cada criança é única e o acompanhamento médico é fundamental para definir a melhor conduta.
“É um cuidado que vai além do sono. Ajuda no desenvolvimento, no bem-estar e na qualidade de vida como um todo”, conclui Juliana Caixeta.












