xAI, de Musk, é acusada de ilegalmente demitir engenheiro que denunciou falhas de segurança no Grok

xAI, de Musk, é acusada de demitir ilegalmente engenheiro que levantou preocupações sobre IA

Reuters

Um ex-engenheiro da xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, entrou com uma ação judicial alegando que foi demitido por levantar preocupações sobre os riscos que a inteligência artificial representa para a humanidade.

A xAI é dona do chatbot Grok, que foi alvo de polêmicas por gerar milhões de imagens sexualizadas de mulheres e menores.

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O ex-funcionário Devin Kim afirma no processo, protocolado na terça-feira (09) em um tribunal estadual da Califórnia, que seus esforços para estabelecer proteções no desenvolvimento do chatbot Grok fizeram dele um alvo da liderança da empresa.

A ação foi apresentada às vésperas da oferta pública inicial de ações (IPO) planejada pela SpaceX para sexta-feira (12), que deve ser a maior da história.

“Kim reclamou repetidamente que a falha da xAI em priorizar a segurança da inteligência artificial, especialmente em relação ao Grok, praticamente garantia que a empresa cometeria atos ilegais, desde fomentar discriminação até contribuir para a proliferação de armas de destruição em massa”, afirma o processo.

A xAI e a SpaceX não responderam imediatamente aos pedidos de comentário sobre a ação de Kim.

Na semana passada, o Center for AI Safety, organização sem fins lucrativos dedicada ao estudo dos riscos potenciais da inteligência artificial, anunciou a nomeação de Kim para a presidência da entidade.

Musk, a pessoa mais rica do mundo, fundou a xAI em 2023 como o que descreveu ser uma alternativa mais segura à OpenAI, organização que ajudou a criar mais de uma década antes. No mês passado, um júri rejeitou uma ação movida por Musk que alegava que a OpenAI havia se desviado de sua missão original de beneficiar a humanidade.

Segundo o novo processo, Kim foi uma das primeiras contratações da xAI em 2024 e foi promovido a um cargo de liderança poucos meses após ingressar na empresa.

Kim afirma que Musk esperava que a xAI implementasse testes e procedimentos adequados de segurança. No entanto, segundo a ação, seu supervisor, Jimmy Ba, cofundador da xAI, ignorou essas diretrizes e rejeitou a insistência de Kim em adotar mecanismos de proteção.

Kim diz que Ba o demitiu abruptamente em setembro do ano passado, pouco antes de ele fazer uma apresentação sobre segurança em inteligência artificial para a liderança da empresa.

O processo acusa a xAI e a SpaceX de retaliação e demissão injusta em violação à legislação da Califórnia, e pede indenização por danos em valor não especificado.

A SpaceX e outros empreendimentos de Musk, incluindo a fabricante de veículos elétricos Tesla, enfrentam há anos alegações relacionadas à segurança, desde riscos para funcionários até preocupações envolvendo tecnologias de direção autônoma.

Em 2023, a Reuters documentou pelo menos 600 acidentes de trabalho anteriormente não divulgados na SpaceX, incluindo esmagamentos de membros, amputações, choques elétricos e uma morte.

Alguns funcionários atribuíram os problemas a uma cultura de segurança considerada permissiva e à crença de Musk de que a SpaceX está em uma corrida urgente para criar um refúgio no espaço diante de uma Terra em declínio.

Na época, a SpaceX não comentou o caso. Em documentos apresentados à Justiça e em outras ocasiões, porém, a empresa defendeu seu histórico de segurança e afirmou oferecer treinamento extensivo aos funcionários.

Grok, inteligência artificial criada por Elon Musk

REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

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