Mercosul: como o bloco econômico impacta a vida das pessoas?

O Mercosul é um bloco econômico de grande relevância econômica para a América lLtinaIsac Nóbrega/PR

O Mercado Comum do Sul, também conhecido apenas como Mercosul, é um bloco de grande relevância econômica para a América Latina, com forte impacto nas esferas política e econômica da região. Criado em 1991, seu objetivo principal é promover a integração entre os países da região e a formação de um mercado comum entre seus membros.

Atualmente, os países integrantes do Mercosul são Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A Venezuela, que entrou para o bloco em 2012, foi suspensa em 2016 devido ao não cumprimento das exigências econômicas, políticas e humanitárias, conforme o Protocolo de Ushuaia.

O processo de integração do Mercosul é caracterizado por uma constante adaptação, visando facilitar o comércio e os investimentos, além de promover um mercado competitivo que facilita o acesso ao comércio global.

O bloco também estabelece acordos com outros países e concede status de “Estado Associado” a algumas nações sul-americanas, permitindo sua participação em atividades e reuniões, além de garantir condições comerciais preferenciais.

Além disso, o Mercosul tem celebrado uma série de tratados de cooperação, políticos e comerciais com diversos países e entidades internacionais, aumentando sua presença e influência no cenário global.

  • Veja também: UE aprova maior acordo comercial com Mercosul após 26 anos

Mercosul: impacto no cotidiano e na economia regional

Bandeira do Brasil ao lado da bandeira do MercosulFoto: Marcos Oliveira / Agência Senado

Para entender melhor como o Mercosul impacta a vida cotidiana das pessoas, o Portal iG entrevistou Fernando Moulin, CEO & Founder da Polaris Group e especialista em digital e experiência do cliente e Julio Amorim, CEO da Great Group, especialista em planejamento e autor do livro Escolha Vencer: Criando o Hábito de Conquistar Sonhos e Objetivos.

Ambos abordaram sobre como o bloco influencia o comércio, o acesso a produtos e serviços, além de destacar os desafios e as oportunidades que surgem com a integração dos países membros.

Fernando Moulin afirma que o principal impacto do Mercosul no Brasil e nos países participantes é a facilitação do comércio. A redução de barreiras alfandegárias e a diminuição das tarifas de importação e exportação têm um efeito direto no bolso dos consumidores. 

“O objetivo desse tratado é possibilitar que o comércio entre os países participantes seja facilitado, tenha menos barreiras alfandegárias, tenha tarifas de importação e exportação mais favoráveis e que estimulem a negociação entre blocos econômicos mundiais”, diz. 

Ele explica que, com menos restrições, o acesso a produtos de outros países do bloco se torna mais barato e diversificado, beneficiando os consumidores com opções mais vantajosas.

Além disso, a integração do bloco também facilitou a produção compartilhada em setores como a indústria automobilística, com fábricas em diferentes países do Mercosul, contribuindo para o aumento da competitividade global.

Julio Amorim, também analisa que os efeitos do Mercosul aparecem tanto no bolso do consumidor quanto nas estratégias das empresas. 

“O Mercosul impacta o cotidiano das pessoas muito mais do que se percebe, especialmente quando olhamos sob a ótica do planejamento. Ao reduzir barreiras comerciais, ele amplia a oferta de produtos, aumenta a concorrência e tende a pressionar preços para baixo, influenciando diretamente o consumo”, avalia. 

Para ele, isso se traduz em mais variedade nas prateleiras e maior acesso a produtos e serviços integrados regionalmente.

Integração econômica

Bandeiras dos países membros do Mercosul Ana de Oliveira/AIG-MRE



De acordo com Moulin, a integração econômica proporcionada pelo Mercosul permite que as empresas do bloco acessem novos mercados com menos barreiras comerciais. Ele cita como exemplo a relação comercial entre a Argentina e o Brasil afirmando que a estreita colaboração entre os dois países facilita não só o comércio, mas também a movimentação de bens e serviços. 

“Essa integração é benéfica para a economia local e para o consumidor final que pode ter acesso a produtos de outro país com uma com preço melhor, com uma condição menor, com menos barreira alfandegária, com menos tarifa e ter mais disponibilidade para produtos civis por preço mais justo”.

Julio Amorin também reforça a ideia de que a integração do Mercosul fortalece o ambiente econômico regional ao criar maior previsibilidade para empresas e investidores, ampliando a cooperação entre os países do bloco. E diz que o bloco reduz riscos logísticos, cambiais e regulatórios, ao mesmo tempo em que oferece novas oportunidades de escala, fornecedores e acesso a mercados vizinhos. 

“Para a economia local, isso significa empresas mais competitivas e cadeias produtivas mais eficientes. Para o consumidor final, o reflexo é claro: mais variedade, preços mais equilibrados e maior disponibilidade de produtos”, afirma Amorin.

Mobilidade de trabalhadores e estudantes

A expansão do Mercosul e os esforços para firmar acordos com outros países têm, até o momento, se concentrado principalmente em questões econômicas e comerciais.

Fernando Moulin destaca que “o foco principal tem sido a redução das barreiras ao comércio, mas também existem acordos que simplificam a movimentação de pessoas dentro do bloco, como a possibilidade de viajar sem passaporte entre os países membros”.

Ele também observa que a inclusão de novos países no bloco pode, no futuro, criar mais oportunidades para a mobilidade de trabalhadores e estudantes.

Já Julio Amorin complementa que a expansão do Mercosul e os novos acordos têm o potencial de facilitar vistos, reconhecer diplomas e ampliar intercâmbios, o que aumenta as oportunidades de mobilidade dentro do bloco. 

Contudo, ele ressalta que “isso cria um mercado regional de oportunidades, mas não garante sucesso automático. Quem deseja morar ou trabalhar em outro país do bloco precisa de preparo real: perfil adaptável, competências certas, domínio do idioma e leitura de cenário”. 

Desafios políticos e econômicos

67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados AssociadosFoto: Ricardo Stuckert/PR

Questionados sobre os desafios políticos e econômicos que o Mercosul enfrenta atualmente e como isso pode impactar a vida da população, especialmente em relação à estabilidade econômica e ao acesso a produtos e serviços mais baratos, os especialistas destacaram obstáculos que limitam o potencial do bloco.

Moulin observa que, no contexto de governança e disputas ideológicas, as relações comerciais entre os países nem sempre são favoráveis. 

“Em alguns casos, governos populistas podem enxergar a ampliação do mercado local como uma ameaça e, por isso, tentar impor barreiras tarifárias para proteger a economia doméstica. Isso cria um dilema entre a abertura econômica e a proteção do mercado interno”, analisa.

Amorim reforça que, sem uma governança sólida e alinhamento de interesses, “os acordos demoram, custos permanecem altos e a integração perde força”. Ele complementa: “Na prática, isso afeta a estabilidade econômica, limita o acesso a produtos mais baratos e reduz ganhos de eficiência para empresas e consumidores”.

Apesar dos desafios, ambos especialistas veem um futuro promissor para o Mercosul. Moulin acredita que, com a continuidade dos acordos comerciais e a potencial expansão do bloco, o Brasil, por exemplo, pode se beneficiar especialmente com o agronegócio.

“Produtos brasileiros podem se tornar mais competitivos no mercado global, trazendo benefícios para a economia e para os consumidores”.

E Amorim afirma que fatores como planejamento, governança e previsibilidade é o que vão determinar se o Mercosul será uma alavanca de desenvolvimento ou apenas um acordo formal.

Relacionados

9rro49xjquzod9084ybwz2nam
6ziujjl0i87bf9s7riq2ih20k
br0vrcjdih0bqii3ny2iaho61
Receba atualizações na palma de sua mão e fique bem informado Siga o Canal do portal Ibotirama Notícias no WhatsApp

2025 | Ibotirama Notícias Todos os direitos reservados  Por DaQui Agência Digital

Rolar para cima