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A Copa começou. E talvez essa seja a primeira vez em muitos anos em que os brasileiros acompanham um Mundial sem a certeza, ou a pretensão, de que a taça voltará para casa. A confiança na seleção oscila. Os palpites são cautelosos. Mas, curiosamente, isso não parece ter abalado outra exportação nacional.
O Brasil nunca esteve tão em alta.
Nas últimas semanas, Romeo Beckham escolheu uma jaqueta vintage da seleção brasileira para apresentar a Intra, sua nova marca inspirada no universo do futebol. O detalhe chama atenção porque o lançamento não era sobre o Brasil. Ainda assim, foi justamente a peça verde e amarela que roubou a cena.
Não foi um caso isolado. Nos últimos meses, marcas internacionais passaram a incorporar referências brasileiras em coleções e campanhas. Adriana Degreas lançou sua coleção “Made in Brazil”. A Lacoste apresentou versões de sua tradicional polo em verde e amarelo. Camisas vintage da seleção ganharam espaço em editoriais, redes sociais e festivais de música.
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Mais do que uma tendência de moda, o fenômeno parece refletir uma mudança na forma como o país é percebido.
“Eu acho que o ‘Brazilcore’ é menos uma tendência de moda e mais a expressão visual de um momento cultural”, afirma Jorge Grimberg, especialista em varejo e comportamento de consumo. “Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, crises e polarização, o Brasil passou a ocupar um lugar simbólico muito interessante no imaginário internacional: um país associado à alegria, à natureza, ao verão, à criatividade e à convivência social.”
Durante décadas, a imagem internacional do Brasil esteve profundamente ligada ao futebol. Hoje, ela parece mais ampla. O país exporta música, moda, gastronomia, destinos turísticos e estilo de vida. O Rio de Janeiro voltou a ocupar um lugar privilegiado no imaginário global. A estética praiana influencia marcas muito além do segmento de beachwear. E a ideia de um país solar, criativo e socialmente vibrante passou a carregar valor próprio.

“Temos artistas brasileiros ganhando projeção internacional, marcas expandindo sua presença global, atletas em evidência e um crescimento importante do turismo. O resultado é que elementos que antes eram vistos apenas como símbolos nacionais passam a ser percebidos como códigos de estilo e desejo”, diz Grimberg.
Para Katia Barros, fundadora da Farm, o principal impacto do “Brazilcore” foi abrir espaço para que a criatividade brasileira passasse a ser observada com mais atenção. “Amplia o interesse global pela criatividade brasileira e criar mais espaço para que marcas nacionais fossem descobertas por novos consumidores.”
A empresária faz questão de destacar que o fenômeno vai além das cores da bandeira. “Quando a gente fala de Brasil, não estamos falando apenas de cores, estampas ou símbolos visuais. Estamos falando de uma forma de viver e de se relacionar. Existe uma alegria, uma espontaneidade, uma afetividade que fazem parte da nossa cultura.”
Talvez seja justamente essa a razão pela qual o movimento parece sobreviver mesmo quando se afasta do futebol. Hoje, o “Brazilcore” aparece na moda, mas também no turismo, na gastronomia, na decoração e no entretenimento. Em muitos casos, nem sequer depende do verde e amarelo.
O que desperta interesse não é necessariamente uma estética. É uma atmosfera.
“Nunca tivemos receio da força dos nossos símbolos ou da riqueza das nossas referências culturais. O que mudou foi a forma como elas passaram a ser recebidas”, afirma Katia. “Hoje vejo um consumidor mais confortável e orgulhoso de expressar essa identidade, tanto no Brasil quanto fora dele.”
Enquanto a Copa avança, ainda não se sabe até onde a seleção brasileira chegará. Mas existe uma disputa que parece menos incerta: a do espaço que o Brasil ocupa hoje no imaginário global.
E, nesse campeonato, o país já entrou entre os favoritos.
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