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Pela segunda vez consecutiva, Pedro Andrade e Paula Kim apresentaram a nova coleção da P. Andrade no calendário oficial da semana de moda masculina de Paris. Batizado de “Sagrado”, o verão 2027 da dupla explora as múltiplas manifestações do Carnaval brasileiro, para além dos clichês. Com direção e trilha sonora de Marcelo D2, o desfile aconteceu no Salon des Miroirs, no nono arrondissement da capital francesa.
Os 25 looks da coleção juntaram alfaiataria clássica com roupas mais casuais e esportivas, dentre as quais, 13 peças desenvolvidas em parceria com o Instituto Riachuelo e feitas com matérias-primas e processos que valorizam a produção nacional. Entre camisetas, moletons e calças estão roupas confeccionadas com algodão agroecológico cultivado no projeto Agro Sertão, no Rio Grande do Norte, e outras tingidas com pigmento natural extraído da anilha cultivada na Paraíba. O resultado homenageia subculturas festivas nacionais como os bate-bolas, parte de ritos de Carnaval nos subúrbios do Rio de Janeiro.
As máscaras características dos bate-bolas – que saem às ruas para, literalmente, bater bolas de plástico em transeuntes para assustá-los –, ao mesmo tempo naïve e fantasmagóricas, serviram de inspiração para o artista multidisciplinar Novíssimo Edgar desenvolver as que foram para a passarela da P. Andrade. “As máscaras passam a sensação de seres de outra dimensão, com suas vozes próprias”, explica Edgar.
Das ruas periféricas do país também saiu a inspiração para as 18 flâmulas desenvolvidas manualmente por sete bordadeiras de Timbaúba dos Batistas (RN) utilizando técnicas como Richelieu e pontos cheios. “Os bate-bolas foram apenas uma porta de entrada para um universo muito maior e extenso das subculturas festivas brasileiras. Ao longo da pesquisa, percebemos que existiam inúmeras manifestações populares que mereciam ser exploradas. A coleção fala sobre essas festas, seus personagens e uma riqueza cultural que vai muito além da visão mais conhecida do Carnaval”, afirma Pedro Andrade. “Tem a ver com fazer a vida ter significado uma vez por ano para uma população sofrida; é sobre resistência, sobre religiosidade.”
Pedro e Paula aprenderam técnicas de confecção das roupas e dos acessórios nas comunidades e as adaptaram para a sua alfaiataria esportiva. O contraste entre o artesanal das máscaras e das manualidades das bordadeiras com o rigor da alfaiataria confortável e sofisticada proposta por Pedro e Paula trouxe um resultado cosmopolita, contemporâneo, que homenageia o Brasil, mas deixa portas abertas para outros mercados.
“Gostaria que as pessoas saíssem com uma curiosidade maior sobre o Brasil. Que entendessem que existe muito mais por trás das imagens mais conhecidas do país e que nossa cultura é rica, diversa e cheia de histórias que ainda merecem ser descobertas”, diz Paula Kim.
Entre as colaborações que Pedro tanto gosta de alinhavar, estão sandálias Havaianas exclusivas, sapatos feitos com a Phileo, marca francesa que trabalha com a Comme des Garçons, e um aperitivo de uma nova parceria com a Nike, parte de algo maior que deve ser revelado em breve. A Levi’s também entra com um jeans confeccionado integralmente com algodão agroecológico naturalmente colorido da Paraíba, em colaboração com a Natural Cotton Color, enquanto as joias de prata levam o dedo de André Lasmar.
A P. Andrade se propõe a fazer roupa real e possível, para além da performance, com qualidade, como pede o momento atual da moda global. Muito bem.
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