Em Roma, a “Infererenze” de Alessandro Michele na Valentino

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Na noite da quinta-feira (12/03), Alessandro Michele apresentou sua Interferenze na direção criativa da Valentino com um desfile dentro do Palazzo Barberini, em Roma. Para o diretor criativo, a coleção de inverno 2026 tem início ao pensar a moda como uma estrutura viva: entre a memória e transformação, a gravidade e a leveza, a disciplina e a fantasia, a regra e o desvio. 

O que vi na passarela: uma série de 84 looks (além de um show de bijoux e acessórios!) com os quais Michele celebra a tradição da Valentino enquanto testa, com exuberância e uma certa provocação, os limites dessa ordem. Fechou a temporada de desfiles para o inverno 2026 com chave de ouro!

PARA ALESSANDRO MICHELE A COR NÃO É DECORATIVA, ELA É PARTE DA NARRATIVA. Por essa razão, a grife italiana trouxe algumas das combinações cromáticas mais especiais de toda a temporada de inverno 2026 internacional. Ponto alto do desfile, a cartela de cores se mostrou improvável de um jeito interessante: pense no verde-água com um splash de vermelho vibrante ou então no amarelo-açafrão contrastando graficamente com preto e rosa (o rosa claro é um dos tons-fetiche do estilista!). O Rosso Valentino acendeu o lindo vestido de festa que encerrou o desfile: na frente, ombros arquitetônicos; nas costas, um decote no formato da letra “V”. 

UMA DAS MENSAGENS MAIS CLARAS DO INVERNO 2026 ESTÁ NA SILHUETA. Os ombros surgem ampliados, estruturados, quase esculturais. Dos vestidos de gala prontos para cruzar o tapete vermelho nesta award season aos tops rendados e casacos de alfaiataria, a referência dos 1980 é evidente, mas Michele a trata menos como nostalgia e mais como linguagem de poder. É a roupa como arquitetura: uma estrutura que afirma a presença da mulher. 

DRAPEADOS E PREGAS ATRAVESSARAM A COLEÇÃO, mas o diretor criativo evita as referências literais. Há desde vestidos etéreos, cobertos por capas esvoaçantes até saias-lápis de shape rigoroso e blusas acetinadas de construção precisa. O detalhe recorrente são as faixas de cetim marcando a cintura, um gesto que atravessa diferentes looks e chega inclusive à alfaiataria masculina, criando um fio condutor fashion.

O CONTRASTE ENTRE TEXTURAS FOI TOTAL, o que parece perfeito para uma coleção que fala do choque entre peso e delicadeza. O veludo aparece com protagonismo, emprestando densidade aos looks noturnos. Esse peso, porém, é constantemente contraposto pela leveza quase das rendas e bordados feitos à mão, que introduzem transparência e sutileza na construção visual.

A SILHUETAS SÃO HISTÓRICAS, PARA PRONTAS PARA VIVER HOJE. Como é típico de Michele, o passado funciona menos como arquivo e mais como matéria-prima para reinvenção. O shape sereia retorna em saias e vestidos com glamour dramático, enquanto a cintura deslocada para baixo do quadril evoca discretamente os anos 1920 (um sinal da mudança de proporção que já vimos nesta temporada em outros desfiles!). Capas teatrais e casacos volumosos de pelos em cores inesperadas completam o quadro. Para o estilista, não são apenas roupas: são fragmentos de história reinterpretados à sua maneira e entrelaçados com os códigos da casa italiana que nós conhecemos (e amamos). Bravo!

Com Antonia Petta e Milene Chaves

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