Alexandre Nero revela sofrimento na construção de personagens

Alexandre Nero e Marcus MontenegroDivulgação

“A construção de cada personagem para mim é um sofrimento.” A declaração de Alexandre Nero resume parte da relação intensa que o ator mantém com a profissão.

Conhecido por papéis marcantes na televisão, no cinema e no teatro, ele falou abertamente sobre o processo criativo, a pressão do ofício e momentos pessoais que atravessaram sua maneira de atuar durante participação no podcast “Ser Artista”, apresentado por Marcus Montenegro.

Ao ser questionado sobre a preparação necessária para interpretar personagens com habilidades específicas, Nero contou que não costuma recorrer a aulas ou técnicas direcionadas para cada trabalho.

O ator explicou que sua relação está muito mais ligada ao caminho percorrido até encontrar o personagem.

“Não faço nada, nunca fiz. Eu adoro o processo. Acho que eu gosto mais do processo. Adoro ensaiar no teatro, por exemplo. Passar três meses ensaiando. Depois que eu começo a apresentar, nem gosto tanto”, contou.

Essa construção também envolve o diálogo com quem está na direção.

Nero afirma que gosta de defender suas escolhas e discutir possibilidades para uma cena, mas considera fundamental respeitar a hierarquia existente em uma produção.

“Em uma cena que eu esteja criando e o diretor não concorde, eu aceito sempre uma conversa, sem se esquecer da hierarquia e ele tem que ser respeitado. Eu debato, mas a última palavra sempre é dele”, afirmou.

O personagem que mudou sua carreira

Entre tantos trabalhos, um nome inevitavelmente apareceu na conversa: José Alfredo, o Comendador de “Império”, novela escrita por Aguinaldo Silva.

O personagem marcou uma virada profissional para Nero e o colocou definitivamente entre os protagonistas da televisão brasileira.

“Foi o papel que me projetou como protagonista e esse papel mexeu comigo, mas depois mexeu muito mais”, revelou.

Alexandre NeroDivulgação

Marcus Montenegro também levou a conversa para a vida pessoal do ator.

Nero ficou órfão aos 17 anos e falou sobre como essa experiência permaneceu presente em sua formação e acabou atravessando sua própria maneira de interpretar.

“Foi um trauma irreversível e tudo que passei faz parte das cenas que faço. Cada ator tem um processo e isso é maravilhoso. Cada colega de trabalho tem um processo diferente do outro, o que me encanta muito. Cada um é diferente do outro, o que é lindo e rico demais”, refletiu.

Ao falar sobre a profissão, o ator deixou de lado qualquer tentativa de romantizar a rotina de quem vive da interpretação.

Para ele, assumir um personagem envolve responsabilidade, pressão e uma busca que continua cercada de dúvidas mesmo após anos de carreira.

“Ser ator pra mim é um peso muito grande, uma responsabilidade, é muita pressão. É uma profissão que é uma incógnita pra mim. A construção de cada personagem pra mim é um sofrimento”, afirmou.

Tarcísio Meira e a fama de galã

A conversa ganhou um tom mais descontraído quando Marcus e Nero falaram sobre os grandes galãs da televisão brasileira.

Para o ator, Tarcísio Meira ocupa uma posição particular nessa história, tanto pela aparência quanto pelo talento e pelo porte que marcou sua geração.

“Nunca houve na história outro igual. Hoje em dia tem vários homens galãs, mas com o porte do Tarcísio não. Depois vieram homens bonitos com sexy appeal, mas galã não. Não foram deuses gregos”, comentou.

Nero também brincou sobre a própria relação com esse rótulo. “Eu nunca me achei galã. Hoje em dia eu brinco: ‘Eu não quero ser talentoso, eu quero ser bonito’”, disse.

A percepção sobre a própria aparência, segundo ele, mudou com os anos e com a possibilidade de dedicar maior atenção à saúde.

“Eu sou um ex-gordinho, uma cara sem graça, mas hoje, grisalho e cuidando mais da saúde, tenho personal trainer, tenho dermatologista, posso cuidar da minha saúde. Por isso que hoje em dia eu sou mais bonito do que eu era.”

Entre lembranças de “Império”, referências como Tarcísio Meira, experiências pessoais e os bastidores da criação de seus personagens, Nero mostrou uma relação com a atuação que continua longe de ser automática.

Mesmo depois de uma carreira marcada por personagens conhecidos do público, cada novo papel ainda exige um processo próprio e, como ele mesmo define, cercado de pressão, responsabilidade e descobertas.

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