Deborah Secco e Bruna Vasconi, sócia e fundadora do brechó Peça Rara, respectivamente, participaram do Latam Retail Service 2026 para falar sobre a evolução do mercado de segunda mão dentro da moda.
Para Bruna, “a realidade dentro do presente e no futuro da moda é muito gratificante”. Deborah complementou ao afirmar que o crescimento da empresa foi evidente: “Quem imagina? Eu entrei no Peça Rara há alguns anos e as pessoas tinham um grande preconceito, né? Com a roupa usada, com a roupa velha. E hoje a gente está dentro do varejo”.
De acordo com dados da GlobalData, apresentados por Bruna, a economia circular deve representar o dobro do que a indústria convencional da moda movimenta em 2030. Para as sócias, o trabalho da empresa já evidencia o início desse movimento.
Durante a palestra, a fundadora da rede destacou a importância dos consumidores dos produtos, que deixam de ser “somente” clientes e se transformam em uma espécie de “cliente fornecedor”: pessoas que passaram a contribuir ativamente para o desenvolvimento do trabalho do Peça Rara ao levar artigos usados para a curadoria do brechó.
Deborah Secco contou que não tinha o costume de comprar peças de segunda mão, mas que entrou no Peça Rara com muita simpatia pela moda circular. Segundo a sócia, a falta de hábito vinha da falta de informação e conhecimento sobre a importância de mudar a forma de consumir.
De acordo com a atriz, a decisão de conhecer mais sobre o assunto veio após o nascimento de sua filha.
Hoje, Deborah afirma que virou, de fato, uma adepta ao mercado e acrescentou: “Posso falar que hoje o meu armário é 90% feito através da moda circular, eu sou uma apaixonada”.
A atriz também afirmou que seu carinho pelo mercado vem de uma preocupação com o futuro do planeta, por meio da reutilização de materiais têxteis que, dessa forma, não terão de ser descartados.
O negócio
A empresa começou com Bruna, em Brasília. No início, o brechó já apresentou popularidade entre os clientes e cresceu significativamente. Durante os primeiros anos, a criadora desenvolveu sete lojas no Distrito Federal.
Com a alta demanda, Bruna decidiu expandir os serviços para outros estados e atraiu a atenção de Deborah, que se interessou em se tornar sócia do Peça Rara.
Atualmente, a empresa conta com mais de mil pessoas trabalhando diariamente nas 130 lojas que estão em operação pelo país. No ano passado, a rede de brechós registrou um faturamento de R$ 300 milhões.
De acordo com Bruna, o crescimento do empreendedorismo é evidente. Nas 130 lojas, a rede recebe, em média, 30 novos fornecedores por dia levando peças. Diariamente, cerca de 500 novos itens únicos são cadastrados no sistema da rede.
“Isso porque o consumidor passou a ver muito valor, não só nesse projeto, mas nesse serviço, que é o que a gente acaba fazendo”, afirmou Bruna.
Dados recentes apresentados no palco mostram que mais de 700 mil fornecedores já foram atendidos pela rede e mais de 200 mil usuários utilizam o aplicativo digital da marca. Atualmente, cerca de 340 mil peças usadas são vendidas nas lojas todos os meses, uma média de 3 mil peças por loja, representando 85% do volume recebido que volta a circular por meio da venda.
“São peças usadas que talvez não estivessem passando pelo processo dessa área ou ficassem acumulando e ocupando espaço nas casas, nos armários das pessoas”, afirmou Bruna.
Tecnologia como parceira de negócios
Por diversas vezes, as sócias deixaram claro que não teriam tanta eficiência no trabalho se não fosse a tecnologia. Para auxiliar os consumidores nas compras, o Peça Rara fornece um aplicativo que é uma das principais formas de conectar a marca aos seus fornecedores.
Por meio do aplicativo, os fornecedores podem fotografar as peças e escolher para qual loja querem destinar os itens, onde quer que estejam. Logo em seguida, a inteligência artificial do aplicativo faz uma pré-seleção e responde ao fornecedor quais itens são de interesse da loja e quais ele deve ou não levar.
Em média, cada loja conta com três avaliadoras, que são as responsáveis por receber os fornecedores com seus itens para fazer a triagem, a precificação e o cadastro das peças no sistema. Com a inteligência artificial oferecida pelo aplicativo, parte desse trabalho é feita de forma automática a partir de algumas fotos.
“A gente não vai substituir uma pessoa, mas a gente vai utilizar o trabalho dessa pessoa, e ela gasta de um a dois minutos para fazer o cadastro. Com a IA, em dois minutos a gente provavelmente vai cadastrar cinco, seis peças”, afirmou Bruna.










