O sobrinho-neto de Dilma Rousseff, o deputado eleito Pedro Rousseff, desafiou publicamente o candidato Flávio Bolsonaro. “Se Flávio for eleito, ele não vai governar”, afirmou Pedro.
Em declaração à Folha, Pedro Rousseff foi além: “A gente vai fazer aquilo que todos esperam, servir como cão de guarda no Congresso Nacional, para poder arrebentar com estes bolsonaristas”.
Queremos crer que as declarações tenham sido feitas por um jovem impetuoso e com pouca experiência na política de Brasília, onde 88% dos que chegam pela primeira vez tendem a não conseguir realizar o que pretendem.
Um Congresso muito mais progressista cassou Dilma Rousseff, sua tia-avó, e José Dirceu, companheiro de armas de sua familiar.
Preferimos acreditar que palavras tão ferozes e ameaçadoras tenham sido calculadas para obter repercussão na mídia, em vez de levá-las ao pé da letra.
Mas, enfim, em um Congresso de maioria de direita, a esquerda precisa saber jogar o jogo da política.
A história mostra que aqueles que não souberam se articular acabaram derrotados. Nesse contexto, incluo a renúncia de Jânio Quadros, que pode ser considerada uma espécie de autocassação.
O próprio Jânio apontou seu arqui-inimigo, Carlos Lacerda, como um dos fatores que contribuíram para sua renúncia.
Quando o cenário político era dominado pela Arena e pelo MDB, foi graças à inteligência política de homens como Ulysses Guimarães que o MDB conseguiu atravessar os anos da ditadura militar e conquistar governos estaduais, enfrentando o partido que sustentava o regime.
Não foi pela guerrilha nem pelo confronto direto, mas pela inteligência e pela articulação política.
A maturidade continua sendo uma das maiores virtudes em uma disputa política.
A composição de um Congresso de maioria de direita é uma realidade que a esquerda precisará enfrentar. Para superar os obstáculos, será necessário recorrer à inteligência, à maturidade e à capacidade de negociação.





