POR DANIEL SHAILER
A pesquisa nos campos úmidos do Cerrado costuma exigir longas caminhadas em meio a juncos que chegam à altura da cabeça, seguindo trilhas de anta e desviando de ovos de carrapato ou de perigos em trechos encharcados. E quando o equipamento não é à prova d’água, tudo fica ainda mais complicado. Por isso, em fevereiro de 2024, quando uma tempestade caiu sobre o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, no nordeste de Goiás, a pesquisadora Larissa Verona e sua equipe correram para a caminhonete.
“A chuva passou em cerca de 10 minutos, mas quando voltamos, vimos que tinha começado um incêndio bem no meio da estrada”, provavelmente provocado por um raio, contou ela à Mongabay em uma chamada de vídeo. “Meu Deus, a gente precisa ir embora”, ela se lembra de ter pensado. “É melhor não estarmos aqui quando o chefe dos bombeiros chegar.”
Os incêndios vêm se tornando
Cavando mais fundo
Verona e uma equipe de campo coletaram turfa em seis pontos dentro e próximos à Chapada dos Veadeiros, chegando a 4 metros de profundidade, o que é mais do que a própria equipe esperava conseguir e um indício inicial de que os campos guardavam mais solos orgânicos ricos em carbono do que se sabia até então.
Análises anteriores dos estoques de carbono nos campos do Cerrado haviam coletado solo a profundidades de até








