O universo dos games deixou de ser apenas uma forma de diversão para se tornar também um espaço de trabalho, produção de conteúdo e construção de comunidades. Com transmissões ao vivo, vídeos e interações nas redes sociais, criadores brasileiros encontram novas maneiras de transformar o interesse pelos jogos em uma atividade profissional.
Esse movimento esteve entre os assuntos discutidos durante a Brasil Game Show (BGS) 2026, realizada entre os dias 9 e 12 de outubro. O evento reuniu jogadores, influenciadores, desenvolvedores e empresas que acompanham as transformações do entretenimento digital.
Segundo dados apresentados pela Pesquisa Games Brasil 2026, mais de 75% dos brasileiros consomem jogos digitais, número que ajuda a dimensionar a presença dos games no cotidiano e o interesse por conteúdos relacionados ao setor.
Além dos lançamentos e das experiências oferecidas ao público, a feira também abriu espaço para discussões sobre os desafios enfrentados por quem trabalha produzindo conteúdo na internet.
Ser criador de conteúdo gamer virou profissão? O crescimento das transmissões ao vivo e das plataformas digitais ampliou as possibilidades para quem deseja trabalhar com jogos eletrônicos.
Hoje, a atividade de um criador gamer pode envolver produção de vídeos, interação com seguidores, cobertura de lançamentos, participação em eventos e desenvolvimento de comunidades.
Entretanto, transformar essa presença digital em uma carreira exige mais do que conquistar visualizações.
Entre os desafios estão a necessidade de manter uma audiência engajada, diversificar as fontes de renda e construir uma relação duradoura com o público.
Durante a BGS, essas questões fizeram parte das conversas entre criadores, desenvolvedores e profissionais ligados ao mercado de conteúdo digital.
Criadores querem ter mais voz nas plataformas Uma das discussões envolve a participação dos influenciadores nas decisões sobre ferramentas que utilizam para produzir conteúdo e se relacionar com seus seguidores.
A criadora de conteúdo gamer Gabreta Nascimento destacou a importância de encontrar espaços nos quais possa compartilhar suas necessidades e participar das conversas sobre o desenvolvimento das plataformas.
“A comunicação proativa da Flamus tem sido o recurso mais bacana que uma plataforma me proporcionou nos últimos 6 anos de criação de conteúdo. Perceber que a minha voz tem influência e potência, em um espaço que posso me expressar de verdade, faz com que eu tenha ainda mais oportunidades de conversar com quem me apoia.”
A declaração chama atenção para uma preocupação que vai além dos números de seguidores: a possibilidade de participar das decisões que afetam a rotina de quem trabalha na internet.
O que aconteceu nos bastidores da BGS 2026? Além das atrações voltadas aos visitantes, a Brasil Game Show contou com uma área dedicada a encontros profissionais e negociações entre empresas e representantes do setor.
Entre os participantes esteve a Flamus, plataforma voltada à criação de comunidades e à monetização de conteúdo digital.
Durante os quatro dias de evento, representantes da empresa conversaram com criadores de conteúdo, agências, desenvolvedores independentes e outros profissionais ligados ao universo gamer.
Segundo a plataforma, os encontros tiveram como objetivo compreender dificuldades enfrentadas pelos criadores e identificar necessidades relacionadas à gestão de comunidades e ao acompanhamento de resultados.
As conversas também abordaram a busca por maior autonomia profissional e formas de manter o relacionamento com os seguidores para além das mudanças de alcance nas redes sociais.
Por que depender apenas das redes sociais pode ser um desafio? Para quem trabalha com conteúdo digital, a relação com o público costuma acontecer em plataformas que utilizam sistemas próprios de recomendação.
Mudanças nesses sistemas podem afetar a distribuição de publicações e a quantidade de pessoas alcançadas por vídeos, transmissões e outros formatos.
Por isso, construir uma comunidade que acompanhe o criador de maneira mais próxima se tornou uma das discussões presentes no mercado.
A proposta é desenvolver relações que não dependam exclusivamente da entrega de conteúdo pelos algoritmos.
Nesse contexto, ferramentas de acompanhamento de desempenho, comunicação com seguidores e monetização aparecem entre os recursos discutidos por profissionais do setor.
Mercado gamer brasileiro passa por mudanças As discussões realizadas durante a BGS aconteceram em um período de mudanças também na regulamentação da indústria brasileira de jogos eletrônicos.
Em 14 de outubro, dois dias após o encerramento do evento, o governo federal regulamentou o Marco Legal dos Jogos Eletrônicos, instituído em 2024.
A medida estabelece diretrizes voltadas ao desenvolvimento do setor, incluindo incentivos à produção nacional, inovação tecnológica e capacitação profissional.
Embora a regulamentação esteja relacionada à indústria de jogos, o crescimento desse mercado também chama atenção para as diferentes atividades que se desenvolveram ao redor dele.
Criadores de conteúdo, desenvolvedores, produtores e comunidades digitais fazem parte de um universo que ultrapassa o ato de jogar.
Para quem acompanha os games pelas redes sociais, esse cenário mostra como uma atividade antes associada principalmente ao lazer passou a abrir espaço para novas trajetórias profissionais.






