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A silhueta elegantemente relaxada, com um permanente perfume de anos 1980 na alfaiataria de linhas soltas que fez a fama de Giorgio Armani, segue intacta. Agora sob a batuta de Leo Dell’Orco, a grife mantém vivo o legado do mito italiano falecido em 2025. A não ser pelo formato do desfile, realizado desta vez no Palazzo Orsini e não no tradicional teatro Armani, como gostava o fundador, quase nada mudou. O que é positivo, tendo em vista que Armani criou uma das identidades mais sólidas da moda italiana.
Inspirado pelo clima e pelas cores do Mediterrâneo, Dell’Orco entrega um repertório leve e funcional, que se desdobra em uma paleta desbotada, um passeio pelo branco da pedra queimada pelo sol, tons terrosos, nuances de especiarias, o azul cobalto do céu e do mar, e um dourado suave. O preto só aparece no bloco final de elegantes smokings de gola xale.
Entram no guarda-roupa desse viajante alinhado boas jaquetas utilitárias, repletas de bolsos, blazers alongados e desestruturados, quase como cardigãs, calças pregueadas de gancho baixo, e grandes bolsas nas quais o nômade chique da Giorgio Armani pode carregar mais do que o necessário. Linho, algodão, xantungue e fibras naturais dão o tom nos materiais.
Ainda houve espaço para uma porção feminina no desfile, com looks da coleção Cruise 2027, a primeira desenhada por Silvana Armani, sobrinha de Giorgio. A alfaiataria confortável, impregnada dos códigos masculinos, conduziu as propostas para as mulheres da marca, na mesma paleta mediterrânea, com pitadas de lilás.
Uma elegância fluida que é a cara de Giorgio Armani e que, a exemplo do que acontece no masculino, mantém intacta uma identidade inabalável. Bonito.
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