Todos costumam criticar o general Médici como o grande ditador, mas se esquecem de citar o general Geisel, o grande caçador. Sim, caçador.
O general Geisel prendeu dois generais: Sílvio Frota e Hugo Abreu. Ele gostava de caçar. Tinha prazer em caçar as suas presas.
E caçou, em uma só noite, quatro deputados federais. Eu escrevi caçador com “ç”, sim.
O ano era 1974 e, depois daquela vitória magnífica na Copa do Mundo de 1970, já se imaginava que a Seleção Brasileira não seria mais a mesma.
Eis que o general Geisel acreditava que, se Pelé fosse para a Seleção, o Brasil ganharia, e ele, general, não ficaria com uma fama ruim.
Então, Geisel mandou Havelange falar com Pelé, que já tinha decidido não jogar mais pela Seleção. Havelange foi e ouviu um “não”.
Depois, Geisel mandou um ministro falar com Pelé. E o ministro ouviu um “não”.
Então, sem ter mais a quem mandar, Geisel enviou sua filha, Amália Lucy, para falar com Pelé.
Pelé, sempre elegante e educado, arrumou uma desculpa para Amália Lucy que era indiscutível.
Pelé contou uma mentirinha: disse que tinha uma contusão escondida, sobre a qual não poderia falar publicamente.
Amália fez de conta que acreditou. Geisel fez de conta que acreditou. Era melhor para Geisel acreditar que guardava um segredo de Pelé. E assim, Pelé ficou livre de ir à Copa de 1974.
E assim, Pelé enganou o ditador, general Geisel. Amália Lucy sabia que Pelé tinha mentido. Geisel sabia que Pelé tinha mentido.
E Pelé sabia que eles sabiam.
O amor é incrível.








