Entre referências à literatura, capas de discos, séries, música e acontecimentos cotidianos, Camilla, conhecida nas redes como Preta Letrada, encontrou uma maneira própria de discutir cultura negra e questões sociais no ambiente digital. Em vez de oferecer respostas prontas, a comunicadora costuma partir de perguntas para estimular conversas com quem acompanha seu conteúdo.
“Aonde você deposita o seu ódio?” é uma delas. A provocação exemplifica uma característica que se tornou recorrente em suas publicações: utilizar elementos reconhecíveis da cultura e do entretenimento como ponto de partida para discussões mais amplas.
Baiana, Preta Letrada é comunicadora popular, advogada criminalista, escritora e pesquisadora. Nas redes sociais, seus conteúdos acumulam dezenas de milhares de interações ao combinar repertório histórico, cultura pop e experiências contemporâneas em uma linguagem acessível.
Agora, a criadora inicia uma nova etapa desse trabalho ao integrar a Flamus, plataforma voltada à relação entre criadores de conteúdo e suas comunidades. A chegada ocorre em um momento no qual influenciadores discutem cada vez mais os limites impostos por formatos curtos, tendências e mecanismos de distribuição das redes tradicionais.
Cultura pop também vira ponto de partida Parte da capacidade de Preta Letrada de alcançar públicos diferentes está justamente nos assuntos escolhidos. Cinema, séries, literatura e música aparecem associados a discussões sobre negritude, ancestralidade, história e comportamento.
A proposta é aproximar temas que poderiam parecer restritos a determinados grupos de conversas presentes no cotidiano de diferentes públicos.
Uma frase da rapper Ebony, por exemplo, tornou-se uma referência recorrente para Camilla e ajuda a sintetizar a lógica por trás de seu conteúdo:
“Eu não quero que você pense igual. Eu só quero que você pense.”
A ideia também explica por que perguntas ocupam tanto espaço em suas publicações. Em vez de determinar uma conclusão, a comunicadora busca apresentar contexto e permitir que o debate continue entre as pessoas que recebem aquele conteúdo.
Além da disputa pelo algoritmo A entrada na Flamus também acompanha uma discussão presente entre profissionais da chamada Creator Economy: como construir comunidades sem depender exclusivamente da capacidade de um conteúdo viralizar.
Nas grandes redes, vídeos e publicações disputam atenção em feeds abastecidos continuamente por novos conteúdos. Tendências podem ampliar rapidamente o alcance de um criador, mas a mesma dinâmica também favorece conteúdos mais imediatos.
Para Preta Letrada, que trabalha com contextualização e reflexão, ter espaço para aprofundar determinados assuntos abre outra possibilidade de relacionamento com o público.
Na plataforma, a proposta é publicar conteúdos mais extensos e manter discussões que podem continuar depois da primeira postagem, sem abandonar a linguagem que a comunicadora já desenvolveu nas redes.
Comunidades ganham espaço entre criadores A movimentação de Preta Letrada também acompanha uma mudança na maneira como parte dos criadores digitais observa a própria audiência. Além do número de seguidores ou da quantidade de visualizações, a formação de comunidades interessadas em acompanhar e participar das conversas começa a ganhar importância.
Para Maria Luisa, Head de Marketing da Flamus, essa característica está presente no trabalho desenvolvido por Camilla.
“Tem creators que conseguem fazer a gente parar no meio do feed. A Camilla faz isso porque não entrega uma reflexão pronta. Ela traz contexto, conecta o que aconteceu antes com o que estamos vivendo agora e deixa uma pergunta que continua com você. Ter essa voz na Flamus é muito importante para o que queremos construir como plataforma: um espaço onde diferentes perspectivas possam existir, ganhar profundidade e, principalmente, gerar conversa”, afirma.
A chegada da comunicadora amplia o grupo de criadores presentes na plataforma e oferece a Preta Letrada um novo ambiente para desenvolver um trabalho que já atravessa diferentes áreas.
Entre o Direito, a literatura, a ancestralidade e a cultura pop, Camilla construiu sua presença digital fazendo perguntas sobre assuntos que muitas vezes ultrapassam as fronteiras de uma única bolha. A nova fase mantém justamente essa proposta: fazer com que a conversa não necessariamente termine quando o vídeo acaba.








