Mansões milionárias, condomínios exclusivos e propriedades que parecem saídas de revistas de arquitetura. Quando Neymar ou Virginia Fonseca aparecem associados a imóveis de luxo, os valores e os detalhes das propriedades rapidamente despertam a curiosidade do público. Mas existe uma questão que vai além das piscinas, dos closets e das fachadas imponentes: como planejar a construção de um patrimônio imobiliário?
Embora a realidade financeira das celebridades esteja distante da maioria dos brasileiros, a compra de um imóvel envolve decisões que vão muito além da escolha do endereço. Com os juros elevados, o custo do crédito passou a ocupar um lugar ainda mais importante nessa conta.
É nesse cenário que alternativas como o consórcio ganham atenção. O empresário Murilo Cota, fundador da Muricon, afirma que a procura pela modalidade tem aumentado entre pessoas interessadas em adquirir bens e organizar investimentos de longo prazo.
Segundo a empresa, suas vendas de consórcios cresceram 700%, embora não tenham sido informados o período de comparação nem os volumes utilizados no cálculo.
O que os imóveis de Neymar e Virginia têm a ver com investimentos? A vida financeira dos famosos costuma despertar interesse quando envolve grandes aquisições. No entanto, a compra de uma propriedade pode atender a objetivos muito diferentes.
Um imóvel pode ser adquirido para moradia, lazer, locação ou diversificação patrimonial. Também pode representar uma despesa significativa, especialmente quando envolve manutenção, impostos e outros custos recorrentes.
Por isso, o valor de uma mansão não conta toda a história sobre a situação financeira de seu proprietário.
O mesmo raciocínio vale para quem pretende comprar o primeiro apartamento ou ampliar o patrimônio familiar. Antes de assumir um compromisso, é necessário entender quanto a aquisição realmente custará e qual será seu impacto no orçamento.
Juros altos fazem compradores buscar alternativas O financiamento imobiliário costuma ser uma das primeiras opções consideradas por quem deseja adquirir uma propriedade sem pagar todo o valor à vista.
Entretanto, quando os juros estão elevados, o custo total da operação pode aumentar consideravelmente.
Para Murilo Cota, esse cenário ajuda a explicar o interesse por modalidades que permitem planejar a aquisição ao longo do tempo.
“O investidor tem visto o consórcio como a melhor maneira de se planejar, construir patrimônio e alavancar seus negócios. Os juros bancários são predatórios”, afirma Murilo Cota, sócio-fundador da Muricon.
Apesar da avaliação do empresário, a escolha entre financiamento e consórcio depende das condições oferecidas e das necessidades de cada comprador.
Quem precisa do imóvel imediatamente, por exemplo, pode encontrar dificuldades em uma modalidade que não garante a data de liberação do crédito.
Consórcio é investimento ou forma de comprar um imóvel? Essa é uma das principais dúvidas de quem começa a pesquisar alternativas ao financiamento.
O consórcio funciona por meio de um grupo de participantes que contribuem mensalmente para um fundo comum. O dinheiro é utilizado para disponibilizar cartas de crédito aos contemplados por sorteio ou lance.
A modalidade não cobra juros remuneratórios como os de um financiamento convencional, mas possui taxa de administração e pode incluir fundo de reserva, seguros e outros encargos.
Também é importante considerar que a carta de crédito e as parcelas podem sofrer reajustes, conforme as regras do contrato.
Na prática, o consórcio é uma forma de aquisição planejada, não um investimento que oferece rendimento financeiro.
A valorização de um imóvel comprado com a carta de crédito dependerá das condições do mercado, e não da contratação do consórcio.
Empresa relata crescimento de 700% nas vendas À frente da Muricon, Murilo Cota trabalha com a comercialização de consórcios voltados à aquisição de bens e ao planejamento patrimonial.
A empresa informa que registrou crescimento de 700% nas vendas da modalidade e relata contemplações de clientes.
Os dados, entretanto, não vieram acompanhados do período analisado, do número de contratos comercializados ou da quantidade de contemplações. Por isso, não é possível utilizar os resultados para medir a evolução do mercado brasileiro de consórcios.
Segundo a proposta apresentada pela companhia, a escolha do produto deve considerar o valor pretendido, a capacidade de pagamento, o prazo disponível e a possibilidade de oferecer lances.
Esses fatores são especialmente relevantes para empresários que desejam adquirir imóveis comerciais ou planejar a expansão de suas atividades.
O erro que pode comprometer a compra de um imóvel O desejo de conquistar uma propriedade pode levar compradores a concentrar toda a atenção no valor da parcela, deixando de lado outras despesas.
No caso de um imóvel, é necessário considerar impostos, documentação, manutenção e possíveis reformas.
Quem pretende contratar um consórcio também deve compreender as regras de contemplação e verificar se a administradora possui autorização do Banco Central.
Além disso, é importante avaliar o que aconteceria com o orçamento caso as parcelas fossem reajustadas ou a contemplação demorasse mais do que o esperado.
Afinal, acompanhar as mansões dos famosos pode até despertar o desejo de investir em imóveis. Mas construir patrimônio exige algo que não costuma aparecer nas fotografias das redes sociais: planejamento financeiro, conhecimento dos riscos e decisões compatíveis com a própria renda.





