Salário e estabilidade pesam mais que home office, aponta CNI

Segundo os magistrados, o email configurou excesso do poder diretivo da empresaFreepil

O salário e a estabilidade no emprego continuam pesando mais na escolha de uma profissão do que benefícios como home office e jornada reduzida. É o que mostra a 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Futuro Profissional, divulgada nesta quinta-feira (4) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo o levantamento, 28,7% dos entrevistados apontaram o salário como o principal diferencial da profissão que desejam exercer nos próximos cinco anos. Na sequência aparecem a estabilidade no emprego, com 22,4%, e a chance de crescer na carreira, com 20,1%.

Os fatores mais tradicionais ficaram à frente de benefícios que ganharam destaque nos últimos anos, como a flexibilidade de horário (19,3%), o home office (15,9%) e a jornada reduzida (9,8%).

Dados apontam que fatores ligados à segurança financeira continuam sendo prioridade para grande parte, mesmo com o crescimento de modelos mais flexíveis de trabalho nos últimos anos.

Para a Cláudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI, o levantamento mostra que o emprego com carteira assinada é visto por muitos brasileiros como a opção mais segura para o futuro.

Também foram levantadas quais são as principais dificuldades encontradas pelos trabalhadores para alcançar os objetivos profissionais. Para cerca de 22% dos entrevistados, a falta de vagas com boas condições de trabalho é o principal obstáculo.

Na sequência aparecem a falta de experiência prática (17,6%), a escassez de cursos de qualificação compatíveis com as exigências do mercado na região onde vivem (16,9%) e a necessidade de cuidar de familiares (16,1%).

Futuro ainda gera dúvidas

A pesquisa mostra que 43% dos brasileiros não sabem dizer em qual ocupação estarão trabalhando daqui a cinco anos. Segundo a CNI, essa incerteza é maior entre os trabalhadores mais velhos e está relacionada às mudanças tecnológicas que vêm transformando o mercado de trabalho.

Entre os entrevistados que conseguem imaginar os próximos passos da carreira, 13,9% disseram que pretendem abrir o próprio negócio. Os segmentos mais citados foram comércio varejista e prestação de serviços, como salões de beleza, bares e restaurantes.

A preferência ainda é o mercado formal

A pesquisa também reforça a preferência dos brasileiros pelo trabalho com carteira assinada. Entre os trabalhadores que buscaram uma nova oportunidade recentemente, 36,3% apontaram as vagas regidas pela CLT como as mais atrativas.

Entre os jovens de 25 a 34 anos, esse percentual sobe para 41,4%.

Apesar das dificuldades apontadas, a maioria dos brasileiros continua satisfeita com o trabalho atual. Segundo o levantamento, 95% dos entrevistados afirmaram estar satisfeitos com o emprego, sendo que 70% se declararam muito satisfeitos.

A preocupação com o futuro também passa pela adaptação às novas tecnologias. Embora 54% dos brasileiros tenham nível médio ou alto de domínio tecnológico, esse percentual cai para 44,5% quando o assunto envolve habilidades mais avançadas, como o uso de inteligência artificial, planilhas e configurações de sistemas e aplicativos.

A pesquisa foi realizada pela Nexus com 2.008 pessoas de 16 anos ou mais, nos 26 estados e no Distrito Federal, entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025.

*Estagiária sob supervisão

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