Fim da escala 6×1 deixa bares até 20% mais caros, alerta Abrasel

Bares e restaurantes seguram repasse da inflação aos consumidores pelo terceiro mês consecutivoAgência Brasil

A proposta de transição da jornada de aprovada pelo Congresso nacional gera fortes alertas no setor de food service. Para Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, a aprovação da medida é uma “tragédia socioeconômica anunciada”.  O impacto financeiro promete ser direto na operação e no bolso dos consumidores. Estimativas indicam um aumento de 10% a 20% nos custos para manter os estabelecimentos abertos nos mesmos horários. Segundo a Abrasel, esse cenário levará muitos restaurantes a fecharem por mais um dia por semana ou a repassar a alta de custos para os cardápios, gerando inflação, perda do poder de compra e risco de recessão. Os pequenos negócios são os mais vulneráveis a essa pressão.

Solmucci destaca que cobrir o dia a menos de folga dos 15 milhões de trabalhadores da escala 6×1 exigiria 3 milhões de novos profissionais no país, mão de obra indisponível no mercado atual, o que provocará uma disputa acirrada por trabalhadores e a precarização dos serviços. Como alternativa para contornar o problema, Solmucci prevê uma migração para o trabalho por hora (modelo previsto na PEC do trabalho flexível), que oferece maior remuneração e liberdade de horários ao trabalhador, avaliando que haverá uma busca expressiva por formatos fora do padrão tradicional da CLT. Para se adaptar, entidades como a Associação Nacional de Restaurantes (ANR) defendem a flexibilidade na distribuição das 40 horas ao longo da semana. Na prática, redes já testam e aplicam soluções como as escalas 5×2 e 12×36, contratação de diárias por aplicativos e diagnósticos detalhados dos horários de pico para reorganizar as equipes com eficiência. O trabalho por hora funciona de maneira simples e flexível: em vez de receber um salário mensal fixo com horários engessados, o profissional é pago exatamente pelo tempo que trabalha. Nesse modelo, o próprio trabalhador escolhe em quais dias e turnos quer atuar, o que facilita conciliar o emprego com estudos, cuidados com a família ou outros compromissos pessoais. Para cobrir os horários de maior movimento, como almoços ou noites de fim de semana, muitos bares e restaurantes recorrem a contratações por hora ou por diária por meio de aplicativos e plataformas digitais. Isso permite que os estabelecimentos reforcem a equipe sem inflar a folha de pagamento fixa, enquanto atende à preferência dos profissionais mais jovens por autonomia e rotinas dinâmicas. Além da liberdade de horário, a remuneração por hora costuma ter um valor proporcionalmente mais alto do que o valor da hora de um contrato mensalista tradicional. Essa diferença busca compensar a ausência de um vínculo fixo mensal, garantindo um ganho imediato atrativo para quem opta por montar sua própria jornada de trabalho.

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